segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Não compre produtos Nestlé!




A Nestlé removeu a cruz da imagem da capela
nas embalagens dos iogurtes Grego.

A Nestlé está a alinhar com a islamização da Europa.

Boicote a Nestlé!

Não compre nenhuns produtos Nestlé ! ! !



quinta-feira, 26 de outubro de 2017

O multiculturalismo está dividindo o Ocidente



Giulio Meotti, Gatestone, 24 de Outubro de 2017

O multiculturalismo está gerando a «partilha», a ruptura das sociedades europeias. – Alexandre Mendel, autor do novo livro Partilha: Crónica da Secessão Islamista em França.
  • À luz do multiculturalismo europeu, as mulheres muçulmanas perderam inúmeros direitos que deveriam ter na Europa. O multiculturalismo está, a bem da verdade, desprezado na legalização de uma sociedade paralela, fundamentada na Sharia, que se baseia na rejeição dos valores ocidentais, acima de tudo no tocante à igualdade e à liberdade.
  • O establishment europeu fechou os olhos enquanto os supremacistas muçulmanos violavam os direitos do seu próprio povo.

As estatísticas oficiais da União Europeia sobre o terrorismo são impressionantes:

«Em 2016 foram registados um total de 142 ataques terroristas, entre fracassados, frustrados e finalizados em oito Estados Membros da UE. Mais de metade (76) deles foram registados pelo Reino Unido. A França registou 23, Itália 17, Espanha 10, Grécia 6, Alemanha 5, Bélgica 4 e Holanda 1. Nos ataques morreram 142 pessoas e 379 ficaram feridas na UE. No mesmo ano 1 002 pessoas foram presas por crimes relacionados com o terrorismo».

Todos estes países procuraram integrar as comunidades muçulmanas e todos se viram num beco sem saída. «Enquanto este estado de coisas continuar, o fracasso da integração representará uma ameaça letal para a Europa», salientou o Wall Street Journal na esteira de um atentado suicida que matou 22 pessoas em Manchester. Segundo o novo livro Partition: Chronique de la sécession islamiste en France («Partilha: Crónica da Secessão Islamista na França») da autoria do repórter francês Alexandre Mendel, o multiculturalismo está gerando rupturas nas sociedades europeias.

Esta conjuntura também está criando infindáveis ondas de ataques terroristas. Em Agosto passado, num único dia, os islamistas assassinaram 20 europeus em Barcelona e na Finlândia. Um mês depois massacraram duas meninas em Marselha e em Birmingham um menino xiita foi espancado com requintes de crueldade. Estes são os frutos fatais do multiculturalismo da Europa. É a ideologia europeia mais romântica e sedutora desde o comunismo.

Há uma «cadeia cada vez mais constante de 'comunidades suspensas' aninhadas dentro das nações ocidentais», salientou recentemente o historiador americano Andrew Michta.

«O surgimento destes enclaves, reforçado pelas políticas da elite do multiculturalismo, políticas de identidade de grupos e a desconstrução da tradição ocidental, contribuíram para a ruptura das nações da Europa Ocidental».

Apenas vinte minutos separam Marais, o elegante bairro de Paris, onde estava localizada a redacção da revista Charlie Hebdo e Gennevilliers, um subúrbio que abriga 10 mil muçulmanos, onde os irmãos Kouachi, que assassinaram a tiros os cartunistas da Charlie Hebdo, nasceram e foram criados. Em Birmingham há um subúrbio chamado Sparkbrook, de onde sai um décimo dos jihadistas da Inglaterra. Todas as cidades de maior importância da Europa abrigam enclaves onde proliferam o apartheid islâmico.

Lá burcas e barbas têm um significado. A maneira de se vestir sempre simbolizou lealdade a um estilo de vida, uma civilização. Quando Mustafa Kemal Atatürk aboliu o califado na Turquia, proibiu que os homens deixassem crescer as barbas e que as mulheres usassem véus. A proliferação de símbolos islâmicos nos guetos da Europa demarcam a separação destes subúrbios. O novo líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Henry Bolton, disse recentemente que a Grã-Bretanha encontra-se «enterrada» pelo Islão e «inundada» pelo multiculturalismo.

De acordo com o ex-arcebispo de Canterbury, Lord Carey of Clifton o «multiculturalismo», «desencadeou assassinatos em nome da honra, circuncisão genital feminina e o estabelecimento da Lei Islâmica (Sharia) em bolsões das cidades em todo o Reino Unido». À luz do multiculturalismo europeu, as mulheres muçulmanas perderam inúmeros direitos que deveriam ter na Europa. Defrontam-se com «crimes em nome da honra» por se recusarem a usar o véu islâmico, por se vestirem com roupas ocidentais, por se encontrarem com amigos cristãos, por se converterem para uma outra religião, por pedirem o divórcio, por se recusarem a serem espancadas e por serem demasiadamente «independentes».

É uma das grandes ironias do multiculturalismo: cinco membros europeus da OTAN estão a lutar no Afeganistão contra os talibãs que escravizam as mulheres, ao mesmo tempo em que são escravizadas nos nossos próprios guetos na Europa.

Sob o regime do multiculturalismo, a poligamia avançou juntamente com a mutilação genital feminina (500 mil casos em toda a Europa). O multiculturalismo está, a bem da verdade, desprezado na legalização de uma sociedade paralela, fundamentada na Sharia, que se baseia na rejeição dos valores ocidentais, acima de tudo no tocante à igualdade e à liberdade.

Além disso, o medo de «ofender» as minorias islâmicas acabou criando uma espécie de cegueira autoimposta. Foi o que aconteceu em Rotherham, uma cidade de 117 mil habitantes situada no norte da Inglaterra, onde o estupro em massa e o aliciamento de pelo menos 1 400 crianças por «gangues de estupradores de origem paquistanesa» fluiu à vontade por vários anos.

Sob o multiculturalismo, o anti-semitismo também disparou, principalmente em França. O semanário francês L'Express acaba de dedicar uma edição especial exclusiva ao «novo mal-estar dos judeus franceses»-

Todos os recentes terramotos políticos ocorridos na Europa representam as consequências do fracasso do multiculturalismo. Conforme salienta o historiador britânico Niall Ferguson: a principal razão da vitória do Brexit foi a imigração.

«Muitos no Reino Unido olhavam para a crise dos refugiados na Europa e pensavam: se eles adquirirem um passaporte alemão, virão para a Grã-Bretanha e não teremos condições de fazer nada para detê-los. Esta foi a motivação central dos votantes e, legitimamente, porque os alemães abriram as portas a um enorme influxo do mundo muçulmano. Visto a partir do Reino Unido, a reacção foi: pera aí, e se eles vierem para cá?»

Na Holanda, a ascensão de Geert Wilders é a consequência directa do assassinato do cineasta Theo van Gogh por um islamista holandês e a reacção ao multiculturalismo que se seguiu. Na França, a ascensão política de Marine Le Pen coincidiu com dois anos de ataques terroristas de grandes proporções nos quais 230 cidadãos franceses foram assassinados.

Além disso, o extraordinário sucesso do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) nas recentes eleições gerais é consequência da decisão fatal da chanceler Angela Merkel de abrir as portas para mais de um milhão de refugiados e migrantes. Beatrix von Storch, uma das líderes do AfD, salientou à BBC que «não há lugar para o Islão na Alemanha». Explicou que uma coisa é permitir que os muçulmanos pratiquem a fé islâmica em recintos fechados, outra é acomodar o Islão político, que almeja mudar a democracia e a sociedade alemã.

O establishment europeu fechou os olhos enquanto os supremacistas muçulmanos violavam os direitos do seu próprio povo. Muitos islamistas então bateram às portas da Europa cada vez com mais determinação. O multiculturalismo mata e desestabiliza a Europa somente como o nazismo e o comunismo foram capazes fazê-lo.





segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Adolescentes alcoólicos



À noite, na zona de Santos, em Lisboa, as ruas enchem-se de adolescentes e copos. Cerveja, vinho, sangria e misturas. Alguns acabam alcoolizados no hospital. É assim de norte a sul do país: todos os meses há miúdos a chegarem às urgências com intoxicações ou comas alcoólicos. Os mais novos não têm ainda 13 anos.

Catarina Guerreiro, Expresso, 15 de Outubro de 2017

No passeio, puseram-se os dez numa roda. Cada um pegou no pequeno copo com líquido escuro, ergueram-nos ao centro, brindaram à mais nova de entre eles e beberam a mistura num gole. Era o ritual de um grupo de primos e aquele estava a ser o baptismo de J., de 14 anos. Dentro do copo havia C 24, uma mistura de vodca preto e limoncello. Sempre que um deles completa 14 anos é assim: reúnem-se num bar e iniciam-no no mundo dos shots — dose de bebida alcoólica que se consome num só gole. Eram 00h28 da madrugada do último sábado quando J. engoliu em menos de um segundo o seu primeiro shot. Gritaram o nome dela e incentivaram-na. «Bebe, bebe...»

Estavam no Largo de Santos, em Lisboa, onde à noite se juntam muitos adolescentes. A uns metros de distância, a Praceta na Avenida D. Carlos I estava cada vez mais cheia e animada com miúdos, de idades entre os 13 e os 17 anos. Desde as 22h30 que começaram a chegar. Na mão tinham copos de cerveja (uns mais pequenos, outros de meio litro) que compravam nos bares do lado oposto da rua. Alguns seguravam garrafas de vinho e outros ainda garrafas de vidro de um litro de cerveja — «litrosas», como lhes chamam. Apareceram três miúdas com uma garrafa de plástico, de rótulo cor de laranja e imagens de fruta. «É sangria de vodca branco», desvendaram. E continuaram: «Comprámos no indiano a caminho daqui.» A maioria tinha 15 e 16 anos e, por isso, estão totalmente proibidos de comprar álcool pela lei. Mas conseguem sempre: ou não lhes pedem identificação ou tratam de contornar o problema. «Arranjamos forma. Nem que seja pedir a um maior de idade que o faça.»

Um grupo de seis rapazes divertia-se a meter-se com as raparigas. Um deles exibia, orgulhoso, o charuto que trouxera de casa. Outro corria sorridente enquanto ia buscar mais uma cerveja a um dos bares, onde a afluência era tanta que parecia difícil chegar ao balcão. Mas conseguiu. E saiu de lá com a sua quinta cerveja. «Já estou a ficar acelerado», avisava. Uns estavam mais calmos, outros não escondiam que gostam de beber sem limites. «Outro dia, bebi sozinho quase uma garrafa de whisky. Apanhei uma bebedeira e quando cheguei a casa vomitei imenso», contava um dos miúdos, com ar de «menino bem». Os adolescentes estavam em grupos, espalhados pela praceta. Ouviam-se gargalhadas, gritos. «Vou buscar um vodca», anunciava alto uma miúda que não parecia ter mais de 15 anos. O amigo, ao lado, com um jarro de vidro de sangria na mão, começava a dar sinais do que já bebera. Cambaleava e, ao tentar pegar no telemóvel de uma amiga, deixou-o cair ao chão. Já passava da meia-noite e meia. O espaço, com bancos de madeira corridos e umas mesas de madeira com cadeiras, estava cada vez mais concorrido. Parecia o recreio de uma escola secundária. Mas em vez de ser de dia, era de noite; e em vez de livros, traziam nas mãos copos com bebidas alcoólicas. Alguns fumavam. Ali não havia restrições. «Às vezes, há uns que abusam muito e acabam a noite no chão», descrevia A, de 16 anos, que, apontando para a berma da estrada, onde alguns se encontravam sentados, explicava: «Já vi aqui alguns em coma alcoólico.»

O número de adolescentes com excesso de consumo de álcool que dão entrada no Hospital Dona Estefânia, para onde são enviadas as crianças apanhadas naquela zona, confirmam o cenário: todos os meses entram pela porta da urgência pediátrica, pelo menos, cinco adolescentes com intoxicações alcoólicas agudas e alguns em coma alcoólico. Em 2016, o hospital registou 65 casos, e nos dois anos anteriores mais 132 (60 em 2015 e 72 em 2014). A maioria tinha 15 anos, mas dois deles eram crianças de 11 anos. E 39% tinham mais de 2 gramas de álcool por litro de sangue (g/l). O caso mais grave foi o de um adolescente que registou 3,84 g/l e que esteve em coma alcoólico. Há situações ocasionais, mas outras são mais preocupantes e têm de ser seguidas de perto, explica a pedopsiquiatra Neide Urbano, do Hospital Dona Estefânia, a médica que fez o levantamento sobre as ocorrências com esta substância, tema a que se tem dedicado. «O álcool atinge o sistema nervoso central e, em miúdos vulneráveis do ponto de vista da saúde mental, potencia comportamentos como a agressividade, a automutilação, a depressão e às vezes é o gatilho para quem tem tendências suicidas», garante a médica.

DOZE ANOS, 1,56 GRAMAS DE ÁLCOOL

O fenómeno repete-se por todo o país. Na urgência pediátrica do Hospital de São João, no Porto, entre 2011 e 2015 deram entrada 346 adolescentes com álcool a mais. «E 8% tinham antecedentes de consumo», nota o director da urgência, Luís Almeida Santos, para quem a situação «é muito preocupante». «Estamos a falar de crianças bêbadas», alerta, explicando que nesta análise verificou-se que os adolescentes de 12 anos que deram entrada na urgência tinham em média 1,56 g/l de álcool no sangue. Já a média dos de 13 anos foi de 1,46 g/l; a dos miúdos com 14 anos situou-se em 1,79 g/l; a dos de 15 ficou pelos 1,64 g/l; a dos 16 anos atingiu os 1,65 g/l; e a dos de 17 anos posicionou-se nos 1,68 g/l. Valores muito elevados, avisam os médicos. Basta ver que os condutores com menos de três anos de carta são multados quando têm mais de 0,2 g/l e todos os outros a partir de 0,50 g/l. E quem revelar 1,2 g/l é acusado de um crime.

«Houve miúdos que chegaram com taxas entre os 0,5 e os 3,8 g/l de álcool», recorda o director da urgência, acrescentando que 40% foram situações com alguma ou muita gravidade, «com alterações do estado de consciência e sujeitos a exame neurológico». Almeida Santos está agora a analisar os processos clínicos do ano passado para concluir as estatísticas de 2016. Mas o fenómeno não parece estar a diminuir. Aliás, 2015 foi o ano em que o São João registou mais casos: 87 num ano. Ou seja, todos os meses, sete ou mais adolescentes deram entrada alcoolizados.

O mesmo se passa no Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho, onde em 2016 apareceram «20 adolescentes com alteração do estado de consciência», refere Hugo Tavares, de 40 anos, pediatra e responsável pela consulta do adolescente, para onde são encaminhados os miúdos que surgem nas urgências com excesso de álcool. Para medir a gravidade da situação e o estado de coma, os médicos usam uma escala chamada de Glasgow: através da observação das capacidades ocular, verbal e motora são atribuídos pontos. Quinze é considerado normal; a partir de 11 começa o estado de coma superficial, 8 significa que se perdeu reflexos vitais — como o de se impedir que o vómito vá para os pulmões; e com valor de 3 significa um coma profundo.

Oferta. À noite, em Lisboa, como um pouco por todo o país, não faltam miúdos de copo na mão.
Podem ter cerveja (uns mais pequenos, outros de meio litro), sangria, bebidas brancas.
Outros optam por garrafas de vinho e outros ainda garrafas de vidro de um litro de cerveja
— «litrosas», como lhes chamam
.
Hugo Tavares concluiu um trabalho sobre os episódios que chegaram à urgência entre 2008 e 2016, para apresentar no Congresso Nacional de Pediatria, que se realiza no final deste mês. A maioria surgiu nas urgências à noite, ao fim de semana, ou em épocas de festivais e festas populares. A média de taxa de alcoolemia foi de 1,584 g/l. Mas um rapaz chegou com 2,74 g/l. Entre os embriagados havia uma criança de nove anos. As cenas vividas nas urgências revelam os perigos em que os adolescentes se colocam. Ao Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, chegou um miúdo, transportado pela polícia, que estava embriagado a dormir na estrada, «como se estivesse em casa», e deu entrada uma rapariga que bebeu álcool a mais e foi tomar banho ao mar. «Podia ter morrido afogada», nota Hugo Tavares, garantindo que muitos jovens estão a aderir ao binge drinking: «Ingerem grande quantidade de álcool de forma súbita. Três, cinco, até sete bebidas de uma só vez.» Uma tendência que, assegura, tem um enorme «impacto, porque leva a consumo de grande quantidade de álcool antes de terem tempo de começar a sentir os efeitos do álcool».

Foi provavelmente o que aconteceu a T., um rapaz de 16 anos que entrou em coma alcoólico. Estava com amigos numa feira em Santarém quando, a meio da noite, caiu e acabou internado no hospital. Bebeu sete cervejas e depois «empurrou tudo com 12 shots de absinto» e bebeu-os em pouco mais de 10 minutos. Não tardou até estar dentro de uma ambulância. Lembra-se de começar a ver tudo à roda, de ter momentos em que via tudo preto, de vomitar e de se sentir estranho. Mas a partir daí não se lembra de mais nada. Caiu, fez um traumatismo craniano e desmaiou. Foi levado para o Hospital de Santarém, onde os pais o foram buscar mais tarde. Ficou de castigo, apanhou um susto, mas não o suficiente para deixar de beber. Mas, para muitos, garante Hugo Tavares, passar por uma intoxicação destas é uma lição. O problema, diz, é que se cria uma falta de confiança entre os pais e filhos que às vezes é difícil recuperar. «Por isso estas consultas de adolescentes são importantes, pois também ajudam os pais.»

Naquela madrugada de sábado em Santos, no centro de Lisboa, ninguém parece preocupado com os riscos do que está a fazer. «Nós controlamos bem a bebida», diz M., de 15 anos, enquanto dá mais um golo na sua garrafa de plástico cheia de sangria. Nas escolas é raro ouvirem falar dos perigos do álcool, contam.

NAS MÃOS DA POLÍCIA

«É um grave problema de saúde pública. Mas a forma como estamos a passar a informação não dá. Assim não vamos lá», diz Rui Tato Marinho, hepatologista e autor de vários estudos sobre os perigos do álcool para a saúde. «O consumo excessivo está ligado a mais de 100 doenças», garante, dando o exemplo de cirroses alcoólicas, cancros, infertilidade. «E há riscos de morte súbita — que já vi acontecer no Hospital de Santa Maria — e de asfixia pelo vómito», avisa, aproveitando para recordar um estudo da Universidade de Boston, onde se conclui que quem começa a beber com menos de 14 anos tem cerca de 50% de probabilidade de ficar dependente mais tarde. «A única hipótese é restringir mais o consumo», defende Tato Marinho, notando que a. lei não está a ser eficaz.

É também essa ineficácia que a subcomissária da 1.ª Divisão da PSP, Aurora Dantier, de 52 anos, admite testemunhar nas operações que faz durante a noite no Bairro Alto e em Santos, exactamente nos bares ao pé da Praceta D. Carlos I. Por estas zonas encontra regularmente cenas degradantes: menores a caírem de bêbados e a vomitarem, alguns em coma alcoólico; taxistas que não sabem o que fazer a adolescentes embriagadas que não conseguem explicar onde vivem. E, por vezes, chegou a ficar estupefacta quando lhe apareceram pais, a quem ela telefonou para irem buscar os filhos, completamente embriagados. «Não se mudam mentalidades com decretos», diz Aurora Dantier. A subcomissária costuma fazer operações de vigilância de menores que estão na noite sem supervisão de adultos e é acompanhada por técnicas da comissão de protecção de menores, que com ela integram o projecto Sem Rótulos, para ajudar a prevenir situações de maior perigo. É comum a subcomissária entrar num bar e fazer na rua um perímetro de segurança. «Só deixo os adolescentes irem embora quando um adulto o for buscar.» Além disso, notifica por escrito os pais de todos os menores que forem encontrados a beber, como manda o artigo 7.º da Lei 50/2013, que define a venda e o consumo de bebidas alcoólicas. Na última operação que liderou, estavam 20 ou 30 miúdos nessa situação.

P. de 16 anos, já esteve algumas vezes no sítio errado à hora errada e apanhou as operações da subcomissária. «Fazem uma espécie de quadrado e ficamos ali retidos até os nossos pais nos irem buscar.» Na madrugada do último sábado não houve acções policiais em Santos. Por isso, à medida que as horas corriam, o som das garrafas de vidro partidas no chão aumentava. Já passava da uma da manhã e se alguns ainda se comportavam, outros já davam sinais claros do que tinham bebido. E atravessavam a estrada a correr, a rir e a gritar, sem olhar para carros que passavam e sem noção de que podiam ser atropelados. É essa falta de avaliação do risco, dizem os especialistas, um dos perigos do excesso de consumo. «Com o álcool, eles têm comportamentos de risco no sexo, na condução, na agressividade», nota Helena Fonseca, pediatra, responsável pela consulta do adolescente no Hospital de Santa Maria e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. «O álcool é o inimigo número 1», avisa.

Ao Hospital de Viseu, por exemplo, já chegou um rapaz de 17 anos em estado grave por causa de um acidente de mota, resultado do seu estado de embriaguez. E outro entrou, numa madrugada, nas urgências a convulsionar. «Temos de estar muito atentos porque nestes casos há risco de hipoglicemia», descreve Alzira Ferrão, de 58 anos, directora do serviço de pediatria do Hospital de Viseu, onde aparecem também casos de adolescentes muito novos. Não há muito tempo, um casal foi ao hospital com o filho de 10 anos a cambalear. Estava de férias e teve acesso a bebidas alcoólicas através de amigos. O consumo que é feito pelos adolescentes preocupa-a e o hospital tem protocolos com as escolas da zona, onde a sua equipa costuma ir uma vez por semana falar com os alunos. Além disso, fazem sessões de formação nos estabelecimentos de ensino e no próprio hospital, para professores, pais e estudantes. «Tentamos mostrar-lhes que o álcool é tóxico e afecta as células.» Por isso, num dos filmes passam a imagem «de um neurónio a ser regado com gotas de álcool e a atrofiar».

Da sua experiência, consegue perceber que grande parte dos casos são ocasionais e ficam internados menos de 24 horas, mas outros são mais complexos. «Já me disseram que bebem para esquecer.» Alzira Ferrão quer fazer um levantamento dos casos que entraram nos últimos anos nas urgências para comparar a situação com a que está descrita no último estudo feito no hospital de Viseu, que avaliou 74 casos entre 2006 e 2010. A taxa média de álcool foi de 1,78 g/l e 51% tinham consumido shots. Houve registo de escoriações, traumatismos e casos mais problemáticos, como uma fractura do osso frontal, que pode deixar sequelas. Não é assim tão raro, ocorrem acidentes graves.

No Centro Hospitalar de Setúbal, o pediatra José Freixo não esquece o que sucedeu a um rapaz de 16 anos que apareceu alcoolizado e com ataques epiléticos, e que teve de ser operado ao cérebro. O médico dá consultas de adolescentes no hospital, mas lamenta que metade não apareça. São reencaminhados pelos médicos que os atendem na urgência. Joana Cachão, de 29 anos, é interna na especialidade de pediatria neste hospital e já teve nas mãos algumas situações. «Em regra, são intoxicações leves e fazemos hidratação e aquecimento», explica. Há uns tempos, ela e outras médicas fizeram um estudo sobre o tema: analisaram os processos clínicos dos 99 adolescentes que chegaram com excesso de álcool, entre Julho de 2011 e Julho de 2015. Desde então, já atendeu alguns.

O último foi um rapaz de 16 anos que apareceu embriagado e a vomitar sem parar. Ficou a descansar e a avó foi buscá-lo perto das seis da manhã. Sabia que o neto tinha ido sair e beber uns copos, mas nunca pensou que acabasse assim. Foi também com surpresa que os pais de uma estudante chegaram recentemente ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa, para irem buscar a filha, que ali estava deitada numa cama com intoxicação alcoólica, fruto dos festejos das praxes. Tinha bebido sangria a mais. «Tu?», perguntaram, incrédulos, os pais quando chegaram ao pé dela, na enfermaria da urgência pediátrica. Foram ajudados pelo psicólogo que todos os dias passa pelas salas da urgência e que, entre outros casos, auxilia pais e crianças a lidar com os problemas que resultam destas situações. «Os miúdos acham que desiludiram os pais», explica Gabriela Araújo e Sá, directora da urgência pediátrica do Hospital de Santa Maria, onde todos os meses chega um adolescente com intoxicação alcoólica aguda.

Para estes casos, o serviço tem um protocolo de actuação estabelecido, refere, por seu lado, Celeste Barreto, directora do Serviço de Pediatria, que define os exames a pedir, os passos a seguir e os sinais a observar. Um adolescente que apresente 0,5 a 1 g/l tem alterações da coordenação e desinibição; entre 1 e 1,50 revela desequilíbrio, entre 1,5 e 2, mostra letargia e dificuldade em estar sentado, com 3 entra em coma e com 4 a 7 corre risco de depressão respiratória. Uma actuação que segue as regras impostas em Julho passado por uma orientação que a Direcção-Geral de Saúde enviou para os hospitais, onde explica que estas intoxicações são um grave problema de saúde e impõe normas de procedimento.

«SABE A ÁLCOOL ETÍLICO»

Alheios a todas estas regras, naquela noite os miúdos continuavam a divertir-se em Santos. Entravam e saíam dos bares. São 01h20 quando J, de 14 anos, e os primos que a baptizaram continuam no ritual. Entraram noutro bar e beberam todos um shot, desta vez cor-de-rosa. Entretanto, em grupos, dezenas de adolescentes dirigiam-se para a zona das discotecas na Avenida 24 de Julho. «Eh pá, o meu pai disse-me para eu não beber», comenta uma adolescente com os amigos, enquanto dá um gole no copo que tem na mão. Não seguiu o pedido do pai: está embriagada e deita-se no chão da avenida. A um canto, um pouco atrás, uma outra adolescente, de 16 anos, vomita para poder continuar a noite, enquanto uma amiga aguarda pacientemente ao seu lado. Sentados no chão e num círculo, vários miúdos jogam à roleta com a garrafa e vão dando beijos uns aos outros. Num bar ali perto nota-se uma correria de entra e sai. «Vai lá buscar sete shots para nós», pede uma miúda ao rapaz do grupo. Bebem cada um o seu, num gole. «Eh pá, isto sabe mesmo a álcool etílico.»

É natural, explica Luís Patrício, psiquiatra. «O álcool das bebidas é igual ao da farmácia, etanol, que é um químico neurotóxico», explica o médico que se tem dedicado ao projecto «Mala da Prevenção», através do qual tenta alertar para a grave realidade do consumo de álcool por menores. Em vídeos que costuma divulgar, tenta passar uma simples mensagem: «Até 0,5 g/l vem a euforia; com 0,5 a um grama chegam as perdas de memória, de atenção e de juízo; entre 1 e os 3 g/l começa a diminuição da marcha, da visão, e da fala; com 3 a 5 g/l vem a falta de reflexos; e com mais de 5 g/l vem a morte».

Os miúdos não fazem ideia, garante. Alguns são até novos demais. R está com amigos numa fila para a discoteca, mas nenhum, admitem tem 16 anos, a idade permitida para entrar. «Temos bilhete de identidade falsos», acabam por confessar. Na realidade têm 14 anos, desvenda R, enquanto aponta para um outro grupo: «Aqueles ali são de 2004.» Ou seja, têm 13 anos. Segundo um estudo de 2015, do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), coordenado por Fernanda Feijão, o álcool continua a ser a substância mais consumida pelos adolescentes das escolas públicas. E 31% dos alunos com 13 anos já experimentaram álcool, especialmente cervejas e misturas. Num inquérito de 2015, feito em 35 países europeus por um grupo de trabalho de especialistas (Espad — The European School Survey Project on Alcohol and Other Drugs), 47% admitiram que consumiram álcool aos 13 anos e um em cada 12 estudantes europeus contou que teve uma intoxicação alcoólica com essa idade.

Começam a beber para serem aceites pelos amigos, funcionando muitas vezes como uma espécie de ritual, acredita Teresa Goldschmidt, pedopsiquiatra do Santa Maria, notando que em muitas famílias é aceite com naturalidade que os adolescentes bebam álcool. Nem todos os casos acontecem de noite, alguns dão-se no horário da escola. No Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, Sofia Costa Lima, directora da urgência pediátrica, conta que já aparecerem miúdas embriagadas à tarde. E, em Gaia, o pediatra António Vinhas lembra-se do caso de uma adolescente que foi de visita escolar ao parque biológico e acabou a ser levada para o hospital por uma professora, com álcool a mais.

Com o andar da noite, na Avenida 24 de Julho sente-se por vezes o cheiro a haxixe, que vem dos charros que os miúdos acendem e partilham. Pelo meio, fazem directos para o Instagram, tiram selfies. A noite corre. Eram 03h17 quando o funcionário de um dos bares mais concorridos junto à Praceta D. Carlos I varria o chão, cheio de copos de plástico consumidos daquela noite. S. tem 31 anos e passou por um grave problema de álcool. Teve de se submeter a um tratamento e hoje diz que se sente bem e consegue beber com moderação. Mas viveu momentos complicados quando foi ao médico com uma depressão e descobriu que tinha problemas com o álcool. Ao olhar para trás, recorda-se bem como tudo começou. «Tinha 15 anos e comecei a beber shots.»





domingo, 15 de outubro de 2017

A nova fronteira da eutanásia: os pacientes de Alzheimer e a obrigação de não alimentá-los


Los defensores de la eutanasia aseguraban que nunca se permitiría en pacientes sin capacidad
de decisión. Ahora abogan por lo contrario.

ReligiõnenLibertad, 10 de Outubro de 2017

Artículo de Wesley J. Smith publicado en First Things.

Wesley J. Smith es miembro senior del Discovery Institute's Center on Human Exceptionalism y consultor del Patients Rights Council.

Las personas médicamente vulnerables no han estado nunca en mayor peligro, y los pacientes con Alzheimer en particular. En una encuesta reciente realizada en Quebec, donde la eutanasia por inyección letal es legal, un escalofriante 72% de los cuidadores está a favor de la eutanasia en el caso de pacientes con Alzheimer, incluso si la persona en cuestión no lo pide. Si el paciente pidió la eutanasia por escrito antes de  perder la capacidad de hacerlo, el porcentaje de cuidadores que lo aprueba aumenta hasta llegar a un terrible 91%.

Voluntad previa vinculante

Ambos escenarios son ilegales, aunque tal vez no por mucho tiempo. Con la legalización de la  eutanasia por inyección letal en todo Canadá, es previsible que se hayan puesto en marcha los mecanismos que permitan a los pacientes redactar órdenes escritas vinculantes para que les maten si pierden su capacidad mental.

Esto ya es legal en Holanda y Bélgica, dos países que parecen competir entre sí para redactar la ley más radical sobre la eutanasia. Pero, ¿qué pasa si el paciente con Alzheimer, después de perder la capacidad de tomar sus propias decisiones, no está sufriendo para nada? Pues... ¡qué se le va a hacer! Se considera que la voluntad expresada con anterioridad es la que prevalece sobre su actual estado de felicidad. De hecho, en un terrible caso de Holanda, una anciana con Alzheimer fue sujetada por su familia mientras luchaba para que no le pusieran la inyección letal. La autoridades holandesas determinaron que el homicidio había sido lícito porque «el doctor actuó de buena fe».

Objetivo: normalizar la eliminación

Ojalá los defensores de la eutanasia pudieran ser denunciados por defender lo falso. Durante años han asegurado con tono tranquilizador a la sociedad, recelosa, que sólo tendrían acceso a la eutanasia las personas que tuvieran la capacidad de elegir ser asesinadas.

Esta promesa fue siempre muy cuestionada. La «elección» nunca ha sido el punto central de la eutanasia, porque entonces la eutanasia debería estar disponible para todos aquellos, enfermos o sanos, que elijan morir. El objetivo ha sido más bien normalizar el hecho de matar como un remedio aceptable al sufrimiento, incluso cuando el paciente es incapaz de tomar una decisión racional, como en el caso de los pacientes con Alzheimer.


Renuncia voluntaria a ser alimentado

Aunque el suicidio asistido es legal en los Estados Unidos, sigue sin estar permitido en el caso de personas que no tienen capacidad de tomar decisiones. Esta restricción puede ser una cuestión de táctica política más que un principio fundamental. Hace unos años, Barbara Coombs Lee, jefa de la organización en defensa del suicidio asistido Compassion and Choices, dijo que el suicidio asistido para pacientes con Alzheimer era «una cuestión a tratar más adelante, pero no menos imperiosa» que la legalización de la eutanasia para los enfermos terminales con capacidad de decisión; lo que implicaba que la legalización de la eutanasia de personas con demencia sería lo siguiente, una vez que el país hubiera aceptado los planes de Compassion and Choices.

El objetivo de Compassion and Choices son personas ancianas que dejen instrucciones de suicidio mediante la privación de comida, procedimiento conocido en la jerga del movimiento pro-eutanasia como «renuncia voluntaria a comer y beber» (VSED, Voluntary Stop Eating and Drinking).

En su Guía de Instrucciones leemos: «Mucha gente lucha con el sufrimiento continuo de una enfermedad crónica o incurable y progresiva. Hay personas que, en cambio, deciden que simplemente ya están 'acabados' después de ocho o nueve décadas de una vida vivida plenamente».

Es alarmante que la American Nursing Association haya adoptado una política en apoyo del derecho a cometer VSED sin intervención por parte de nadie, y haya declarado que «la decisión de un paciente en lo que respecta a la VSED es vinculante, incluso si el paciente pierde después su capacidad [de tomar decisiones]».

Presumiblemente, la VSED es legal. Pero, ¿qué pasa si un paciente demente sin capacidad de tomar decisiones, que come y bebe voluntariamente, ha dejado instrucciones previas en las que declara que quiere que se le niegue el alimento cuando ya no tenga capacidad de decisión?


Cada vez más, prominentes bioeticistas sostienen que hay que obligar a los cuidadores a que «dejen de alimentar con cuchara a los pacientes», lo que significa literalmente que hay que dejarlos morir de hambre. Por ejemplo, en el Hastings Center Report de mayo-junio de 2014, Paul T. Menzel y M. Colette Chandler-Cramer argumentan: «El principio subyacente [a las directrices médicas anticipadas] es que las personas no pierden sus derechos cuando no tienen capacidad de tomar decisiones; simplemente alguien tiene que ejercer estos derechos por ellas. El elemento conductor detrás de la VSED es que forzar a las personas a ingerir alimentos es una intrusión tan inaceptable en su integridad, privacidad y libertad corporal como imponer un tratamiento médico no deseado. Por lo tanto, si las personas sin capacidad de tomar decisiones no pierden sus derechos cuando se niegan a recibir tratamientos que puedan salvarles la vida, tampoco los pierden en lo que respecta a la VSED».

Es como una adaptación al dispositivo. Directrices previas deciden si hay que aplicar o no tratamiento médico. Un paciente puede rechazar por adelantado la intubación, porque «la nutrición e hidratación artificial» se consideran, por ley, un tratamiento médico. Pero «alimentar con cuchara» no es un tratamiento, es una atención y cuidado humanos, no diferentes éticamente a girar al paciente en la cama para evitar las llagas de decúbito, o proporcionarle una higiene adecuada. Del mismo modo que se ignoraría una directriz que ordenara que un paciente no debe mantenerse limpio, lo mismo vale con una directriz que ordenara que hay que privar de comida a un paciente hasta que muera.

El sufrimiento de los cuidadores

Hay un último punto al que hay que prestar atención. El sufrimiento que causa la enfermedad del Alzheimer recae normalmente mucho más en los cuidadores que en los propios pacientes. Ciertamente muchos, al final del difícil camino, dicen que ha sido un honor cuidar de sus seres queridos incapacitados. Pero no debemos edulcorarlo: el cuidado y la atención de estos pacientes puede ser agotador y muy doloroso y, en algunos casos, peligroso para la salud de los cuidadores. Lo sé porque lo he vivido personalmente muy de cerca. Mi mujer y yo cuidamos de mi anciana madre en nuestra casa durante los últimos cinco meses de su vida, cuando su Alzheimer ya era muy avanzado. Créanme, la pérdida de la memoria es lo menos importante de esta enfermedad.


Es correcto que a los cuidadores se les autorice a rechazar tratamientos médicos intensivos que alargan la vida. Luego, cuando la muerte llega, es una cuestión de la naturaleza que sigue su curso. Pero permitir que los cuidadores ordenen a doctores o a personal sanitario que acaben con la vida del paciente es ir demasiado lejos. En algunos casos, esto lo que permitiría es que los cuidadores eliminaran a los pacientes debido a su propio sufrimiento, el de los cuidadores. Si a esto le añadimos cuestiones de conflicto de intereses, como herencias y costes del tratamiento, tenemos un abuso de personas mayores en potencia.

Por muy malo que pueda ser el Alzheimer, incluso las personas con Alzheimer profundo pueden experimentar momentos de claridad y alegría. Y cuando esto ya no es posible, estas personas indefensas siguen siendo miembros plenos e iguales de la comunidad moral, y tienen derecho a la mejor atención que podamos ofrecerles. Si una sociedad es juzgada por el modo como trata a sus miembros más vulnerables, nosotros rechazamos los planes descontrolados cuyo objetivo es matar a los pacientes de Alzheimer, centrándonos en mejor nuestra capacidad de cuidado y atención de los mismos.

Traducción de Helena Faccia Serrano.





domingo, 1 de outubro de 2017

Ideologia do género como abuso



Matthew Hanley, Actualidade Religiosa, 27 de Setembro de 2017

A chegada do frio outonal traz consigo o começo da época de futebol americano, que é bem-vinda, ainda que ser adepto de alguns clubes (tal como os meus San Francisco 49ers) requeira novamente um acto de fé sobrenatural este ano. Mas para Bennet Omalu, o «médico das contusões» – nome ganho pelo seu papel na revelação do fenómeno neste desporto – esta é uma época melancólica. O médico examinador-chefe do condado de San Joaquin, especulou recentemente que deixar os jovens jogar futebol americano levará eventualmente a um processo, porque o futebol é, nas suas palavras, a «definição de abuso infantil».

Com tantos abusos reais para nos preocupar, uma afirmação destas pode parecer exagerada, ainda que possamos desconfiar da sabedoria de deixar crianças muito pequenas andar a bater com as cabeças umas nas outras. Mas esta cruzada contra o futebol americano está a ser levada bastante a sério. Quase tão a sério como a cruzada a favor da normalização da «fluidez de género».

Recentemente veio-me parar às mãos a edição da Stanford Medicine News do Verão de 2017. A manchete era: «Jovens e Transgénero: Cuidando de Crianças na Transição» e elogiava uma endocrinologista pediátrica pelos seus esforços para «ajudar» estas crianças, utilizando medicamentos para bloquear a puberdade e outros «tratamentos» semelhantes. «Ao tratar os adolescentes transgénero com hormonas», afirma a médica «estamos a afirmar quem eles são». Ou seja, a cirurgia é apenas outra forma de afirmar que os seus corpos estão errados ao desenvolver-se correctamente.

Não pretendo implicar unicamente com a Stanford. A submissão à agenda transgénero tornou-se uma epidemia. A mais recente edição da «Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders» substituiu o antigo diagnóstico de «desordem de identidade de género» por «disforia» de género. E assim – voilá – deixa de haver uma «desordem» para tratar psiquiatricamente e o caminho certo torna-se necessariamente a mutilação através de hormonas ou de cirurgia.

A Associação Psiquiátrica Americana, deixando de lado o seu juízo, afirma simplesmente que a transição de género não envolve qualquer ilusão ou incapacidade psicológica – sendo que ilusão, neste caso, é definida como «uma crença falsa, ou juízo errado, mantido com convicção apesar de provas incontestáveis de sentido contrário».

Para chegar a uma conclusão dessas é necessário negar a realidade objectiva ou, então, declarar que ela é subordinada à forma como os pacientes querem definir a «sua» realidade. Elas são quem afirmam ser, se o dizem. Mas se formos por esse caminho então ninguém pode ser classificado como sofrendo de ilusões e invalida-se por inteiro o próprio conceito de uma desordem psiquiátrica. Estarão os psiquiatras americanos a tentar acabar com a sua própria profissão?

A adesão de tantos profissionais altamente treinados e inteligentes a uma mentira tão óbvia é uma visão verdadeiramente triste. Algumas podem acreditar nos dogmas «oficiais» de género, por mais irracionais que sejam, mas acho que a maioria não acredita. Pelo menos não verdadeiramente. Mas há que salvar a face e preservar o emprego, por isso alinham.

A forma como se conseguiu este conformismo ao melhor estilo soviético sem um politburo é um fenómeno verdadeiramente impressionante. É o último elogio ao pós-modernismo. Não que o Congresso estadual da Califórnia (para citar apenas um exemplo) não esteja a tentar alcançar o estatuto de politburo; eles querem multar ou enviar para a cadeia pessoas em situações de prestação de cuidados de saúde que não se referem aos pacientes utilizando o pronome escolhido, ou seja, o errado.

O triunfo da desonestidade intelectual já é mau por si, mas forçar os outros a concordar com algo que sabem ser uma mentira é um dos maiores sinais de totalitarismo. Pior, «ajudar as crianças a transitar», ao contrário de encorajá-las a jogar futebol americano ou qualquer outro desporto, é verdadeiramente uma forma de abuso infantil.

É isso que diz a Dr.ª Michelle Cretella, presidente da Ordem Americana de Pediatras, que tem coragem de falar sem papas na língua. Mas muitos dos seus colegas não têm essa coragem. Aliás, o número de «profissionais» dispostos a dar ares de legitimidade médica à ideia de «transitar» de género supera até os que se querem submeter a essa absoluta impossibilidade. Com tantos autoproclamados defensores da «ciência» neste mundo, não deveria ser necessário dizer que os «sentimentos» não podem negar o veredicto contido nos cromossomas masculinos ou femininos presentes em cada célula do corpo.

Alguns dirão que afirmar a realidade é uma atitude «julgadora». Mas a tentativa de obrigar à aceitação das teorias de transgenerismo viola o próprio credo do não-julgar. Por isso, já que se estão a fazer julgamentos, a maioria das pessoas concordaria que os profissionais que contribuem, de forma abusiva, para estas «transições» são muito mais culpados do que os adolescentes desorientados que precisam de compaixão e orientação firme. Os resultados para os que se submetem a operações de mudança de sexo não são bons. Os dados revelam-no. Profissionais de saúde que fingem – juntamente com escolas, media, corporações e outros – que a anormalidade é normal são, por definição, abusadores.

E nem falemos do preocupante paralelo entre a mutilação de anatomia saudável envolvida numa «transição» e a prática, justamente condenada, de mutilação genital feminina.

A «transição» é apresentada como um triunfo da ciência e do progresso, mas com a compreensão de que alguns tipos de transição não deviam ser permitidos de todo. Refiro-me, claro está, à perspectiva de alguém que queira mudar a sua orientação sexual de homo para hétero.

Que isto seja prescrito e literalmente criminalizado nalguns contextos denuncia a farsa. Quando a escolha pessoal é tão claramente rejeitada, não obstante toda a retórica tradicional em sentido contrário, isso é um sinal claro de que tudo isto tem a ver com o avançar de uma conclusão já determinada e nada a ver com a vitória da liberdade de escolha em si.

O fim para o qual caminhamos não é outra coisa que a obliteração da ordem e da ética que derivam da tradição judaico-cristã. Tem tudo a ver com o poder para se mudar as regras, trocar o que é bom por aquilo que é mau. É o jogo da desintegração total.

O abuso não é um subproduto ocasional e acidental de uma revolução maior, na qual a fluidez de género é apenas a mais recente rajada. É mesmo o cerne da questão.





sábado, 30 de setembro de 2017

Cartaz e convite — Conferência sobre Cristóvão Colon







Eutanásia... homicídio... Médico?... Assassino!



Pode parecer controverso, mas aconteceu na Holanda. Uma idosa de 74 anos, portadora de demência, manifestou o desejo de morrer «quando chegasse a altura». Mas disse não querer morrer quando lhe aplicaram a injecção letal. Teria a idosa mudado de opinião? É a questão que se impõe.


Mundo ao minuto, Holanda, 29 de Setembro de 2017

O médico que realizou a eutanásia numa mulher de 74 anos pediu à família que a senhora idosa, portadora de uma demência, fosse abraçada enquanto lutava «desesperadamente» para não ser morta, indica o jornal britânico Mirror.

Só por si, o facto de a mulher lutar contra a morte indica que esta não estaria de acordo com o acto que pôs fim à sua vida. E, por isso, o Ministério Público holandês decidiu investigar o caso, considerando que há suspeitas suficientes de que o médico quebrou as leis de eutanásia do país.

Este é, aliás, o primeiro caso a ser investigado nos Países Baixos desde que foi introduzida no ordenamento jurídico a lei da eutanásia, há 17 anos.

Este caso, divulgado pela primeira vez em Janeiro deste ano, causou indignação generalizada nos Países Baixos e em todo o mundo, lançando o debate sobre o facto de os portadores de demência terem, ou não, capacidade para manifestarem a sua opinião sobre um acto que põe fim às suas vidas.

A idosa, de 74 anos, tinha demência e anteriormente tinha manifestado o desejo de terminar com a própria vida «quando chegasse a altura certa».

A sua situação clínica foi piorando dia após dia e os relatórios médicos mostravam que a mulher evidenciava sinais de medo e de raiva durante a noite.

O médico responsável pela casa de repouso defendeu que a idosa já estava «num sofrimento horrível». No entanto, «ela não estava em posição de confirmar se estaria na altura certa para dar seguimento à eutanásia».

Durante a aplicação da injecção letal, a paciente terá dito repetidamente «não quero morrer».





sábado, 23 de setembro de 2017

Já não existe Natureza, abre-se o reino do desejo




Pedro Vaz Patto

Para a «ideologia do género» este será uma escolha independente do sexo de nascença e não haverá modelos de família (homossexual ou heterossexual) de referência, antes, uma indistinta parentalidade.

Quando se estudava o regime político do Reino Unido e se queria acentuar o parlamentarismo que o caracteriza, era habitual dizer: «O Parlamento pode fazer tudo, excepto transformar um homem numa mulher». Para além do exagero da afirmação, quanto à extensão dos poderes de qualquer legislador, o exemplo já não serve hoje, desde que a «ideologia do género» foi penetrando na ordem jurídica de vários países. Entre nós, desde a entrada em vigor da Lei n.º 7/2011, de 15 de Março, pode ser registado como homem ou mulher quem não tenha as características biológicas respectivas, mas que como tal se identifique pela sua auto-percepção subjectiva.

Para a «ideologia do género», que o Papa emérito Bento XVI designou como «revolução antropológica» contrária ao legado judaico-cristão e de outras culturas tradicionais, o género será uma escolha independente do sexo de nascença e não haverá modelos de família (homossexual ou heterossexual) de referência, como não serão modelos de referência a paternidade e a maternidade (antes, uma indistinta parentalidade). Para qualquer destes âmbitos, os dados biológicos relativos à diferença e complementaridade dos sexos serão irrelevantes.

Agora, pretende-se dar mais uns passos no sentido da penetração dessa ideologia na ordem jurídica portuguesa, através dos projectos em discussão na Assembleia da República (uma proposta de lei do Governo e projectos de lei do Bloco de Esquerda e do P.A.N.), relativos ao «direito de autodeterminação da identidade de género». Todos eles dispensam, para a mudança de identificação de género no registo civil, a apresentação, exigida pela lei vigente, de um diagnóstico médico de transexualidade, bastando a vontade do próprio. A proposta do Governo reduz para dezasseis anos a idade mínima para requerer essa mudança. O projecto do Bloco de Esquerda prevê a possibilidade de um menor (sem fixar qualquer idade mínima) requerer essa mudança contra a vontade dos representantes legais (que são quase sempre os pais) e com autorização judicial. O projecto do P.A.N. permite que esse requerimento seja formulado por um menor (também sem fixar idade mínima) através dos seus representantes legais ou do Ministério Público. A proposta do Governo prevê, por outro lado, a possibilidade de cirurgias de reatribuição de sexo em menores, em caso de diagnóstico de transexualidade, com autorização dos representantes legais.

O projecto do Bloco de Esquerda segue a tendência norte-americana que tem dado origem à chamada WC War, fonte de polémicas que inundam os tribunais. Determina que serão «adoptadas as medidas necessárias que permitam, em qualquer situação que implique o alojamento ou a utilização de instalações públicas destinadas a um determinado género, o acesso ao equipamento que corresponda ao género autodeterminado da pessoa». As polémicas norte-americanas surgem porque tal política pretende sobrepor um desejo de afirmação da «identidade de género» à salvaguarda de privacidade e segurança que justifica a separação por sexos de casas de banho, balneários e dormitórios.

O projecto do Bloco de Esquerda consagra o direito de qualquer pessoa ser tratada pelas outras, em qualquer contexto, de acordo com o género com que se identifica, para além do que conste do registo civil. E impõe (tal como a proposta do Governo) directrizes nesse sentido especialmente destinadas às instituições de ensino, públicas e privadas. O que significa impor a todos os ditames próprios da «ideologia do género», com as consequentes limitações da liberdade de expressão de um pensamento que possa ser contrário a tais ditames.

O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida emitiu três pareceres sobre estes projectos. Com uma unanimidade pouco frequente neste tipo de questões, este órgão de composição pluralista pronunciou-se pela reprovação ética dos mesmos.

Afirma o parecer relativo à proposta do Governo que esta (o que também se verifica em relação aos restantes projectos), por dispensar qualquer atestado médico para a mudança de identificação no registo civil, «ignora a existência de pessoas afectadas por perturbações mentais, que se manifestam por convicções delirantes de transformação sexual, nas quais a autodeterminação está coartada ou mais ou menos comprometida. A questão suscitada é tão-somente esta: quem distingue, quando e como, os transexuais primários, detentores da plena convicção de pertencerem ao sexo oposto, daqueles outros, reféns de uma crença delirante ou de uma outra condição patológica (transexuais secundários), que procuram alcançar o mesmo desiderato, ou seja, mudar de sexo e nome? Ora, afigura-se inaceitável que esta questão, pelos riscos que envolve, possa ser resolvida mediante a simples apreciação do Conservador do Registo Civil (…). Tornar o registo civil um acto de natureza privada em que cada um, no exercício de uma liberdade absoluta, registasse a sua identidade de género quando entendesse, tornaria este registo como algo da esfera privada de cada pessoa, afastado da natural vivência pública onde todos estamos inseridos. Do mesmo modo, o estabelecimento de uma liberdade absoluta do registo de género de cada pessoa tornaria impossível um reconhecimento público da identidade de cada cidadão. Em diversos sectores da nossa sociedade, como no sistema de saúde, na educação, nos sistemas da segurança e da defesa do Estado, a simples e imprescindível identificação de uma pessoa poderia ficar comprometida.(…)»

Quanto à questão dos menores, afirma esse parecer que «o adolescente de 16 anos não está ainda em situação de exercer o direito de autodeterminação mas tão-só no patamar da elaboração cognitiva e sensitiva que o levará a essa compreensão, para posterior e oportuna decisão.»

A oposição ao projecto do Bloco de Esquerda é sintetizada, no parecer a ele relativo, nestes termos (nalguma medida também aplicáveis aos restantes projetos): « a) interpreta o «reconhecimento da identidade e/ou expressão de género» como «livre autodeterminação do género», autonomizando esse conceito do conceito de sexo, e a essa interpretação atribui, sem sustentação jurídico-constitucional suficiente, valor de «direito humano fundamental»; b) remete para um exercício simples de vontade individual o acto de identificação pessoal no registo civil, desconsiderando a sua natureza pública, com todas as consequências daí advenientes, em termos de certeza e de segurança jurídicas; c) confere aos menores de 16 anos o acesso universal à autodeterminação de género, como expressão de vontade autónoma, sem acautelar ponderadamente questões associadas ao seu próprio processo de maturação e desenvolvimento neuro-psíquico e advogando a possibilidade de litígio judicial contra os progenitores, no exercício das responsabilidades parentais; d) garante o direito ao livre acesso ao SNS para efeitos de tratamentos farmacológicos e para realização de procedimentos cirúrgicos que têm efeitos irreversíveis, sem a existência de um quadro clínico que configure apropriadamente as condições da intervenção terapêutica a realizar.»

As alterações propostas inserem-se, assim, numa agenda de afirmação ideológica. Uma ideologia que se afirma contra a realidade mais evidente, como se o legislador, na sua arbitrária omnipotência, pudesse contrariar essa realidade (se os factos contrariam a ideologia, «tanto pior para os factos»). Afirma o filósofo francês François-Xavier Bellamy a propósito de questão análoga: «Já não existe natureza, abre-se o reino do desejo».

Sobre a «ideologia do género» afirma a carta pastoral da Conferência Episcopal portuguesa de 14 de Março de 2013:

«Reflecte um subjectivismo relativista levado ao extremo, negando o significado da realidade objectiva. Nega a verdade como algo que não pode ser construído, mas nos é dado e por nós descoberto e recebido. Recusa a moral como uma ordem objectiva de que não podemos dispor. Rejeita o significado do corpo: a pessoa não seria uma unidade incindível, espiritual e corpórea, mas um espírito que tem um corpo a ela extrínseco, disponível e manipulável. Contradiz a natureza como dado a acolher e respeitar. Contraria uma certa forma de ecologia humana, chocante numa época em que tanto se exalta a necessidade de respeito pela harmonia pré-estabelecida subjacente ao equilíbrio ecológico ambiental. Dissocia a procriação da união entre um homem e uma mulher e, portanto, da relacionalidade pessoal, em que o filho é acolhido como um dom, tornando-a objecto de um direito de afirmação individual: o «direito» à parentalidade. (…) É certo que a pessoa humana não é só natureza, mas é também cultura. E também é certo que a lei natural não se confunde com a lei biológica. Mas os dados biológicos objectivos contêm um sentido e apontam para um desígnio da criação que a inteligência pode descobrir como algo que a antecede e se lhe impõe e não como algo que se pode manipular arbitrariamente. A pessoa humana é um espírito encarnado numa unidade bio-psico-social. Não é só corpo, mas é também corpo. As dimensões corporal e espiritual devem harmonizar-se, sem oposição. Do mesmo modo, também as dimensões natural e cultural. A cultura vai para além da natureza, mas não se lhe deve opor, como se dela tivesse que se libertar.»

Dir-se-á que todas estas considerações revelam insensibilidade perante o sofrimento das pessoas que se sentem de um género diferente do sexo de nascença e que poderão ver minorado esse seu sofrimento se forem reconhecidas pelo género com que se identificam. Mas não é frutuoso o amor que sacrifica a verdade, mascarando ilusoriamente a realidade. São muitos os casos de pessoas que se arrependem de cirurgias de reatribuição do sexo (veja-se o sítio www.sexchangeregret.com), uma mudança com consequências irreversíveis e que acaba por ser ilusória, dada a dimensão genética do sexo, que é obviamente inalterável. O psiquiatra Paul Mc Hugh afirma que essas práticas mascaram e exacerbam o problema da «disforia de género», sem o resolver, e que delas resultam apenas homens efeminados e mulheres masculinizadas, e não quaisquer verdadeiras mudanças de sexo. Via mais sensata será a da psicoterapia que conduza à harmonia entre a percepção subjectiva e as características biológicas (porque a pessoa nunca deixará de ser uma unidade que integra um corpo na sua integridade). Uma via que, também por razões ideológicas, se pretende proibir, como se proíbem terapias tendentes à mudança de orientação sexual não desejada.

Quanto às crianças e adolescentes, o American College of Pediatricians (ver www.acpeds.org) considera que práticas como cirurgias de reatribuição de sexo, ou o bloqueio da evolução pubertária (que também se advoga em nome do respeito pela «identidade de género») constituem uma «perigosa experiência de engenharia social», «baseada na ideologia e não na ciência», salientando que a grande maioria de casos de «disforia de género» em menores são superados com o normal crescimento, sendo que o bloqueio da evolução pubertária acarreta graves e irreversíveis danos.

O amor na verdade (caritas in veritate) – é o que se deve exigir para enfrentar estas situações.